| OS
DECISIVOS
VALORES |
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DO SUJEITO |
O esquecimento e o desprezo
dos direitos naturais do Homem
são as únicas causas das desgraças do mundo
(...)
Declaração
dos Direitos do Homem e do cidadão / Constituição
Francesa, 1793
O
objecto é a continuação do sujeito por outros
meios.
Os pressupostos metafísicos, os sistemas de crenças,
os juízos de valor
não estão nem antes nem depois da explicação
científica
da natureza ou da sociedade.
São parte integrante dessa mesma explicação.
Um discurso sobre as ciências,
Boaventura S.Santos
"Estamos
conscientes quando sabemos que existimos; e temos uma mente quando
monitorizamos os nossos estados mentais" diz G. Gallup, citado
em Sombras de Antepassados Esquecidos. Concordamos com
estas definições? "Por estes critérios,
os chimpanzés, os orangotangos e os golfinhos estão
conscientes e têm mentes"...
A
nossa inteligência é imperfeita; o nosso conhecimento
pouco fiável. O natural pensar que o Universo girava em
redor da Terra, a desvalorização das pessoas diferentes
de nós e dos outros animais como tranquilizante para as
nossas confusas identidades, a história da ciência
e das culturas, em geral, lembram-nos que fomos, que somos, interpretes
limitados e tendenciosos.
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Nas
últimas décadas, as mais variadas disciplinas
científicas puseram em causa o postulado "da
física e da metafísica do Ocidente que,
desde o sec. XVII (opunha) a eliminação
positivista do sujeito à eliminação,
transcendental, do objecto" (Introdução
ao Pensamento Complexo, Edgar Morin). Esta visão
dicotómica está a ser substituída
por noções como as de sistema aberto,
de auto-organização em interacção
com um ecosistema, de interdependência sujeito-objecto;
com as quais deixamos de ter uma série de (hoje
desajustadas) respostas... e passamos a ter muitas
perguntas (trabalhosas, carregadas de incertezas e
indeterminações, mas fecundas).
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Sabemos,
hoje talvez melhor que nunca, que para todos nós, humanos-sujeitos,
as emoções desempenham um papel importante, até
mesmo em relação a decisões "puramente
racionais": sem a "côr" e o "sabor"
das conotações emocionais todas as opções
parecem neutras e as pessoas ficam incapazes de gerir a sua vida
profissional e pessoal, tomar decisões, ter gosto em viver
- embora possam ser excelentes a fazer cálculos matemáticos
(O Erro de Descartes).
Estamos
também hoje, a bem ou a mal, a aprender sobre as relatividades,
até sobre a mais dolorosa: a nossa própria.Em
termos individuais e em termos de raça, somos um fugaz
instante...
Fazendo
o Big Bang corresponder ao princípio de um ano, o Homo
Sapiens só iria surgir por volta das dez e meia da noite
do dia 31 de Dezembro; o Renascimento, os Descobrimentos, inaugurariam
o último segundo do ano... Deste modo, é muito recente
a nossa evolução num velho universo.
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Ao
mesmo tempo, do ponto de vista dos sujeitos, é
demasiado longa a história da conquista da liberdade,
dignidade e direitos da pessoa (já nem falando
da justiça social...): |
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Avanço
dos Estados de Direito e da Democracia, no
mundo contemporâneo
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| 1900 |
Talvez
uma meia dúzia, dentro dos quarenta e três
Estados-Nação então reconhecidos,
começavam a merecer esta classificação;
no entanto, e por exemplo, o voto excluía muitos
Homens e todas as Mulheres....
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| 1945 |
Iniciou-se
o boom democrático no Norte do planeta e especialmente
no Ocidente, coincidindo com a democratização
da Alemanha, Itália e Japão; havia poucas
excepções, nos países pobres recém-independentes,
à regra dos regimes autoritários |
| 1980 |
De
cento e vinte e um países reconhecidos, cerca
de trinta e sete eram (mais ou menos) democráticos
- o que equivalia aproximadamente a trinta e cinco por
cento da população mundial
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| 1988 |
Em
cento e noventa e três países, cento e
dezassete estavam largamente democratizados, correspondendo
a cerca de cinquenta e quatro por cento da humanidade. |
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(Dados:
Review "Freedom´s Journey",
The Economist)
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O
crescimento da cidadania é simultaneamente um produto e
um poderoso (re)agente, em cada sociedade. Os direitos cívicos
alargam-se e implicam novos actores em novos campos; as Organizações
da Sociedade Civil (OSC e não ONG. Já cresceram
o suficiente para não serem definidas como "não
governamentais") assumem novos protagonismos sociais.
Os
Direitos Humanos, consagração do princípio
de que todas as pessoas têm a mesma natureza e devem ter
acesso, em liberdade, a iguais oportunidades, são simultaneamente
uma evidência e uma espantosa realização;
uma viragem e um (novo) ponto de partida, a nível individual,
social e político.No
entanto, e usando um eufemismo, este reconhecimento do valor da
pessoa não tem tido uma ascenção linear:
não só muitos países não reconhecem,
política e socialmente, os princípios de direitos
da pessoa e justiça social, como mesmo nos que os reconhecem
não é facil distinguir tendências (por exemplo,
será que os dois pólos, liberdade e igualdade, se
repelem mutuamente?).
A
consciência de que estas situações a nível
mundial nos levam a um balanço negativo (até porque
o carácter insuportável e absoluto do sofrimento
dispensa quaisquer estatísticas) não nos deve impedir
de ver de mais longe, guardando também essas perspectivas:
para um escravo ou um servo, para quase todas as mulheres ao longo
da História, provavelmente para todos os operários
de há cem anos, as correspondentes situações,
problemas e contradições no mundo mais ou menos
desenvolvido de hoje (o Norte do planeta) constituiriam comparativamente
um quase-paraíso...
Infelizmente,
o inverso também é verdade para grande parte dos
habitantes de países pobres, do Sul - em especial para
a África de antes da sangria esclavagista, em que provavelmente
a maior parte das pessoas vivia melhor há quinhentos anos
do que vive hoje.
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A
inter-acção e inter-reacções
entre cada sociedade e este "agente transformador",
os Direitos Humanos, variam tanto que provavelmente nem
sequer são completamente visíveis - ou entendíveis
- para os "de fora", dada a opacidade intercultural
(que quer dizer, por exemplo, que não podemos conhecer
os factores ou factos que nos anunciam como estrangeiros,
num outro território cultural). Por isso, em vez
de especulações sobre a dialéctica
Direitos e democracia versus Identidades culturais, parecem
mais úteis os esforços concretos de aprofundarmos
o respeito por ambos estes pólos, no nosso trabalho.
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Na
intervenção com comunidades e grupos, mas também
com famílias e com cada pessoa.
A dignidade, a especificidade, a totalidade
de cada ser humano são uma fonte de permanente surpresa
e aprendizagem. A partir desta atitude de abertura, de respeito,
quem trabalha com pessoas pode aprender tudo o que é mais
importante.
EM
FOCO OS RECURSOS PRÓPRIOS
E
A SUA MOBILIZAÇÃO
.
. . Quando temos os grandes tesouros diante de nós,
não nos apercebemos.
Paulo
Coelho, O Alquimista
Uma
mudança de perspectiva pode revelar diferenças surpreendentes:
uma volta no caleidoscópio, uma acréscimo de informação
significativa, uma maneira diferente de entrarmos em interacção,
uma luz especial, ... - e não só vemos mas também
entendemos e agimos de outro modo.
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Da mesma forma, são novos os caminhos abertos
e é grande o acréscimo de qualidade, quando
nos dirigimos aos recursos - e não tanto às
necessidades - na intervenção com cidadãos,
grupos e comunidades. Esta verdadeira "inversão
de focagem" (que é lógica na linha
de crescente atenção aos valores próprios,
ao desenvolvimento endógeno), ao ser por nós
adoptada de forma decidida e sistemática, não
só está a produzir melhores resultados mas
vai-se também revelando um novo modo de trabalhar,
a todos os níveis.
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As necessidades constituem, em geral, o motor
que nos leva à acção; e sem dúvida
que é necessário rigor na sua análise.
Mas são os recursos - os bens, as capacidades, as
potencialidades - dos próprios, do local, que mais
podem contribuir para que uma estratégia de intervenção
seja sustentada e se desenvolva adequadamente.
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"A evidência histórica
mostra-nos que o desenvolvimento significativo de uma comunidade
tem lugar quando os próprios estão empenhados e
investem num esforço de melhoria; os contributos de fora
têm que ser subsidiários a esta rota, não
podem determiná-la" (John Mcknight, Northwestern University,
dossier Healthcare Forum). Um rio externo de recursos pode até
causar devastação em vez de deixar benefícios...
Basta pensarmos na ineficácia de tanta da ajuda externa
aos países em vias de desenvolvimento ou, noutra escala,
nas decepções que já sofremos, na prática
profissional, em algumas estratégias de intervenção
(involuntariamente mais nossas que deles) com dada família
ou pessoa.
A inventariação, valorização
e apoio ao protagonismo dos bens activos e das habilidades de
um cidadão ou de uma comunidade é para nós,
hoje, um desafio mais adequado (tecnicamente mais interessante,
socialmente mais útil e pessoalmente mais enriquecedor)
do que a atitude diagnóstica, ex-catedra, exterior, dirigida
sobretudo às fragilidades.
Com faltas, fraquezas e necessidades não
se constrói certamente nada de sólido... Por isso,
falamos menos de diagnóstico e mais de avaliação,
de estudo (antes, durante e depois da intervenção
propriamente dita; ou, melhor dizendo, dentro da intervenção,
em momentos fortes e continuamente) em que privilegiamos a descoberta
dos bens, capacidades e potencialidades endógenos: para que,
conhecendo, os possamos dinamizar. Por isso, mais do que de concepção,
tratamos da identificação de projectos, de acções
que emergem de dada realidade. Por isso andamos às voltas
com a mobilização de recursos, percebendo que os determinantes
são os de dentro, não os de fora.
Precisamos de aprender a pensar e agir melhor nesta
nova lógica, facilitando a auto-organização,
promovendo autonomias e capacidades, tentando nunca embarcar numa
intervenção de substituição mas, por
outro lado, ajudando a desenhar as alternativas e os "inéditos
viáveis" que os próprios possam utilizar para
construir um seu projecto.
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Os recursos próprios
são "os blocos da matéria prima essencial
na construção do desenvolvimento local,
que só com a sua mobilização conseguimos
promover"(Healthcare Forum,
idem)
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Quando "trabalhamos para" utentes,
beneficiários ou clientes, dirigimo-nos a consumidores.
Como é suposto que os consumidores têm direitos,
em geral, e direito a bons serviços em particular, esta
é uma perspectiva com virtualidades, particularmente em
Portugal. Mas também com importantes limitações
e riscos, tais como contribuir para o crescimento da passividade,
da desresponsabilização, do consumismo, de egoísmos...
Muitos de nós sentimos com crescente clareza que é
mais adequado trabalharmos com pessoas, cidadãos, associações,
comunidades - produtores da vida local.
"O
meu desenvolvimento acontece quando eu ME invisto. (...) Neste
crescimento auto-gerido têm especial peso as dinâmicas
associativas: associarmo-nos é assumirmos o nosso poder
(por oposição, votar é delegar esse poder)"
(Healthcare Forum, idem). Reforçar as dinâmicas associativas
numa comunidade e a coordenação de esforços
dos seus grupos e organismos, é consolidar os tecidos sociais
- e haverá maior recurso local?
Aos
diferentes níveis (pessoal, familiar, de
grupo, comunitário, social),importa
assim promover e valorizar, entre outros recursos:
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Os
patrimónios e bens materiais, também
dos pobres (Estudando a economia informal, as micro
actividades e outras realizações,
...)
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| As identidades
e outros patrimónios imateriais (Integrando a
perspectiva social com a cultural, a económica,
a educativa, a desportiva, ... |
As
histórias, os processos, a evolução
(Abordagens diacrónicas) |
As
ligações entre o todo, as partes e os
contextos
(Abordagens sincrónicas) |
As
iniciativas e as lideranças locais
(Facilitando sistematicamente informação
e formação, apoiando a sua organização) |
| As
pontes entre o sector público, o sector privado
e o terceiro sector ou terceiro sistema (economia social) |
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À
NOSSA FRENTE UMA pessoa,
COM A SUA FAMÍLIA E
A SUA HISTÓRIA
"O decisivo é escondido"
(continua a ser; em camadas, profundidades sucessivas. Tantos
anos depois.)
Maurice Bellet no Mudar da Vida
... " o respeito, sempre,
pela pessoa à vossa frente
- sem preconceitos redutores; com abertura, para se surpreenderem
com as facetas, as riquezas, os inesperados de alguém que
tem,
antes de mais, direito à sua totalidade e à sua
dignidade"
(versão muito livre da conclusão,
por Micael Pereira,
da cadeira Antropologia Cultural, 2º ano, ISSSL, Julho 1978)
As
ciências exactas estão a abandonar visões
mecanicistas do mundo - o qual, aparentemente, não é
uma superengrenagem de rodas-dentadas-causa-efeito, mas algo bem
mais complicado, como sabemos.
Nas últimas décadas consolidaram-se outras visões
do mundo, da vida e do conhecimento.
As
relatividades, as indeterminações, a crescente consciência
da complexidade das interacções e da multiplicidade
das perspectivas, tornam a ciência um discurso na primeira
pessoa, em que o rigor é antes de mais a qualidade da dúvida,
da abertura do nosso posicionamento. Da insegurança, como
diz Boaventura Sousa Santos (Um discurso sobre as Ciências).
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Especialmente
nas ciências sociais e humanas, considerar o Objecto
- os outros - como alvo do conhecimento e da acção
de um Sujeito, agente neutro - nós - significa
optar por uma simplificação que não
se pode aplicar sem mecanismos redutores, empobrecedores.
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Assim,
contribuir para a moda de trocar sujeitos-pessoas por "objectos
de intervenção" (moda esta persistente, nas
linguagens do trabalho social. Porquê?), substituir grupos
de cidadãos e suas dinâmicas por "grupos-alvo"
(PAM!!! ...bom tiro?) e reduzir a Comunidade em que nos queremos
inserir a "população" (que são
sempre os outros), corresponde a uma maneira de pensar desadequada
no modo e no espaço-tempo. Isto é, além do
Mais, já não se usa... E ao falarmos de pessoas,
grupos, comunidades, estamos a exercitar abordagens inclusivas
e atitudes de respeito, mais adequadas e eficazes.
Se nos dirigimos não a objectos mas sim a sujeitos, é
natural que as abordagens mais adequadas tenham em conta a sua
história, os percursos, as ligações, os seus
recursos próprios (aos vários níveis) e a
sua globalidade - as partes e os todos, aos níveis individual,
familiar, comunitário, mas também sectorial ou regional.
Nos estudos e nas intervenções as dimensões
sincrónica e diacrónica, os olhares especializado
e globalizante, complementam-se.
Felizmente,
para além das abordagens sistémicas e do planeamento
integrado e criativo, há técnicas que nos ajudam
a concretizar esta linha metodológica: desde a história
de vida (quer em sentido restrito quer, aliás, também
em sentido lato: a preocupação em perceber e seguir
o fio condutor da história e das histórias, da visão
da vida da pessoa e da família, dos grupos sociais e do
território, dos percursos, das experiências adquiridas,
sobretudo tal como se apresentam aos próprios) ao mapping
da comunidade, desde instrumentos para registo como o genograma
até aos métodos de pesquisa-acção
que podem integrar continuamente novos dados sobre a evolução
das situações de pessoas, grupos e regiões.
VALORIZAR O RELACIONAMENTO
como meio (ambiente e instrumento);
E ENTENDER A CIRCULARIDADE DA COMUNICAÇÃO
Trato alguém como ladrão e ele
rouba-me; Trato alguém como a um prícipe
e ele comporta-se como um rei.
(Provérbio Chiês, citado no curso
Aikido de Negociação)
"O
relacionamento é um recurso natural,
sub-aproveitado..."
(Lewis Griggs, Healthcare Forum)
A intervenção social faz-se na relação
com pessoas. Mesmo quando intervimos a níveis mais latos,
a concretização da nossa acção acontece,
de forma geral, em relacionamento com outros. O nosso "ambiente
de trabalho" mais importante é a relação
(e não Windows ou Mac, ou a Net. Por enquanto?). Trabalhamos
em relação e trabalhamos a relação.
O que não é fácil... Antes de mais, porque
relacionarmo-nos é comunicar com o diferente. O desempenho
das profissões de intervenção social, e neste
caso especialmente do Serviço Social, implica constante
abertura:
com os cidadãos, ajudando
à clarificação dos seus desejos,
prioridades e projectos. Sabendo que para o fazermos
tem que ser construída uma relação
de confiança (mútua, como é
obvio; passe o pleonasmo) que exige verdade, respeito,
solidariedade; e que contribuir para a construção
desta relação é uma das nossas
maiores responsabilidades profissionais... Como,
por exemplo, se nota claramente na situação
de trabalho individualizado, na entrevista ou atendimento:
partimos da observância estrita das normas
de informação "realista",
sinceridade, empatia e apoio às dinâmicas
e iniciativas próprias, autonomizantes; e
com o passar dos anos damos por nós a criar,
a partir destas bases, como se de uma arte se tratasse
(como a arte de que se trata, se não dispensarmos
a atenção)
|
dentro
da(s) nossa(s) equipa(s), gerirmos a diferença
sabendo reconhecê-la, assumindo-a e valorizando-a
como instrumento de flexibilidade e adaptação.
A diversidade é inevitável, embora
em diferentes graus. Se for mal tolerada actua como
um veneno nas pessoas e nos grupos; se for bem vivida,
bem gerida, enriquece cada um/a de nós e
as nossas equipas, optimizando os recursos humanos,
que são os mais importantes.
|
| a
nível institucional e social, pensando a nossa
posição, colocação, interacções,
reacções e iniciativas - sem nos demitirmos,
nem demitirmos os outros, das respectivas responsabilidades
... |
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Se
"cada um de nós é um ponto de vista",
uma perspectiva, é por sermos o produto-em desenvolvimento
de um conjunto particular de condições de partida,
de circunstâncias, de passado familiar e suas influências,
de vivências e de escolhas-dentro-dos-possíveis,
de referências e de horizontes. Só a "troca
de informação" nos permite comunicar com o
outro, sistema tão complexo quanto nós, tornando
possível uma aproximação ao contexto em que
- para ele/a, como para nós no reverso da medalha - têm
determinado significado, lógica "naturalidade"
e auto-justificada sequência os actos, as palavras ou as
omissões que tecem a vida (mesmo aqueles que parecem aos
outros, mas não ao próprio, disparates, erros ou
defeitos).
Estas
condições imateriais para a comunicação
são impossíveis de realizar plenamente, além
de serem enganadoras, traiçoeiramente (ab)usando dos nossos
mecanismos de projecção, identificação
ou rejeição.
Como se tal não bastasse, o processo de
comunicação não é linear,
mas
sim circular. Não é
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emissor ---------------- receptor
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(mensagem)
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mas sim um emaranhado de inter(re)acções
(provavelmente também nos sentidos físico
e químico do termo) que poderemos,
simplificando, representar como
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(condições)
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percepções
- emoções - interpretações
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SUJEITO
A
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SUJEITO
B
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reacção
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reacção...
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reacção
à reação
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Pois... a comunicação é uma
con-fusão, como muito bem sabemos da experiência
de todos os dias.
Talvez também por isso se tornam tão
importantes as condições tangíveis (espaço,
ambiente, privacidade, disponibilidade, tempo, ...), nomeadamente
para o trabalho em relacionamento directo com pessoas e grupos.
Tudo o mais já é suficientemente difícil
e delicado para dispensar obstáculos adicionais...
ADVOCACIA (estando
do lado de cada pessoa, ajudando a criar condições
e acessos),
EMPOWERMENT (reforçando-a, na
sua cidadania)
e PROMOÇÃO DAS AUTONOMIAS (em
vez de protecção)
AS RESPOSTAS QUE OBTEMOS DEPENDEM,
EM ÚLTIMA INSTÂNCIA,
DAS PERGUNTAS QUE FAZEMOS
em Aikido de Negociação, P. Carvalho
...
e as perguntas que fazemos dependem, antes de mais, da nossa atitude.
No mundo moderno os contextos culturais e científicos criaram
paradigmas para a acção social que balouçam
entre o proteccionismo (Técnicos e outros agentes fazem,
pobres colaboram) e o objectivismo (Técnicos e outros agentes
decidem, pobres fazem). Estas são visões menorizantes,
redutoras, aos olhos de hoje. Na pós-modernidade começámos
a perceber, fragmentada e tardiamente, que está em causa
a dignidade da pessoa-inteira, a concretizada cidadania. Quanto
à generalização das consequências desta
mudança, parece que ainda a procissão vai no adro.
No
mundo real - aqui e agora - a perspectiva de promoção
da cidadania é tanto mais fecunda quanto integrar outros
princípios e práticas, tais como "a prioridade
ao inadiável" (na expressão de Alfredo Bruto
da Costa): o sentido da urgência, do insuportável
das situações de sofrimento, é o primeiro
requisito para lutar contra a pobreza e a exclusão; sem
esta consciência, o reforço da cidadania poderá
tender para novas formas de burocracia mais desumanas que qualquer
prepotente voluntarismo, pater ou maternalista.
|
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Basear
a prática profissional numa perspectiva de advocacia
social e de empowerment, apoiando o acesso à informação,
aos direitos básicos e à participação
cívica, é um desafio que ainda não
sabemos onde nos vai levar, mas que já insinua
podermos ir longe, em diferentes níveis: o nível
do trabalho individualizado; o nível dos grupos
- formais e informais, existentes, emergentes ou "possíveis";
o nível local; e o nível da influência
sobre as políticas, relacionado com todos os outros.
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Em termos sociais e em termos técnicos, é uma colocação
tão mais eficaz e compensadora, em relação
à acção social tradicional, quanto o construir
de uma ponte o é em relação a esvaziar o
rio com baldes, passe o lugar-comum. Como nada é de graça,
esta nova postura exige que nós, técnicos, cultivemos
uma atitude de aprendizagem, de aproximações, integrações
e construção progressiva, de procura de rigôr,
de aperfeiçoamento técnico e de desenvolvimento
pessoal.
Visamos
o desenvolvimento e o crescimento das autonomias. Em termos ecológicos
(e parece que também em termos sociais) ao contrário
do que pode parecer à primeira vista autonomia implica
não eliminação mas sim multiplicação
de dependências. "Quanto mais autónomo é
um sistema vivo, tanto mais ele é dependente em relação
ao ecosistema - a autonomia pressupõe complexidade, que
por sua vez pressupõe riqueza de relações
com o meio" (O Paradigma Perdido, Edgar Morin,1973).
Isto
é, em linguagem um pouco diferente de vinte anos depois,
os Sistemas Adaptáveis Complexos, como de certo modo o
é cada ser humano, são abertos, auto-organizados
e multidependentes (O Quark e o Jaguar). Apoiar a multiplicação
e diversificação das suas dependências é
contribuir para possibilitar o exercício do seu direito
à liberdade...
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O
direito à diferença. Direito a fazer o seu caminho,
a escolher-se sem invadir nem ser invadido por outros - embora
todos sejamos interdependentes; direito a que a nossa vida
nos torne cada vez mais nós próprios, que nos
revele (o tempo, esse grande escultor, como escreve M. Yourcenar). |
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O direito a si próprio,
até para opções consideradas de "não-integração"...
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Lutar contra a exclusão,
quando esta é produzida pelos mesmos sistemas e é
um fora que faz parte do todo, por certo que é um caminho
pleno de paradoxos; no entanto, cumpre-nos trabalhar para a concretização
dos direitos à(s) inserção(ões)...
Porém, hoje importa também estarmos pre-ocupados
- antes, durante e depois do imperativo atendimento à urgência;
dentro, fora e para além do cumprimento de contratos -
com o assegurar, colectivo, a cada cidadão, das condições
para a maior igualdade de oportunidades possível (e não
com o uso que é feito dessas condições. Podemos
dizer que esta é a fronteira da nossa missão?).
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Numa
sociedade como a nossa, em que por exemplo não
é feita a confrontação das declarações
fiscais com os bens e gastos efectivos (sabendo nós
como a fiscalidade é um indicador precioso
sobre um Estado); num sul da Europa em que as desigualdades
não param de crescer e em que, segundo dados
recentes citados por Vincenc Navarro, a banca tem
os mais baixos custos e os mais altos lucros da UE;
em que os deficits do Estado de bem estar são
supridos pela família - isto é, pelas
Mulheres, sobretudo dos 35 aos 65 anos (que em Espanha
têm em média três vezes mais doenças
que qualquer outro grupo e assumem, também
em média, quarenta e quatro horas semanais
de encargos familiares... em Portugal será
melhor?) temos certamente mais com que nos preocupar
do que com estritas fiscalizações do
cumprimento pelos utentes , isto é, os pobres,
de quadros de preceitos relativos, mas absolutizados,
tais como O que é esbanjar e O que é
consumo criterioso? (episódios da "série
Quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete?
").
|
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Uma
outra reflexão, entre muitas possíveis, noutra vertente
desta importância das condições de partida
- o modo como nos dirigimos áqueles com quem trabalhamos
e o modo como vemos as nossas responsabilidades - debruça-se
sobre o equilíbrio delicado entre o apoio necessário
e a efectiva promoção das autonomias: "apoio
a menos" pode ser um desleal "tirar o tapete de debaixo
dos pés"; "apoio a mais" tende a inviabilizar
a apropriação, adequação e sustentabilidade
das iniciativas de pessoas ou grupos (não nossas)... Ponderando
todas as variáveis, talvez que uma "regra" seja
assegurar o apoio indispensável e não mais que esse,
não ultrapassando os limites impostos pela autonomização
possível e pela autonomização necessária.
Isto é, e como exemplo, uma pessoa numa situação
de ruptura, de grande sofrimento, precisa geralmente de atenção
calorosa, próxima e sistemática; pelo contrário,
por exemplo no acompanhamento a uma iniciativa económica
de um/a empreendedor/a, a dependência excessiva do apoio
técnico não revela só dificuldades pontuais
- mas remete provavelmente para a inadequação da
natureza do projecto, face àquela pessoa nesse momento,
nessa situação (quem não consegue tratar
das papeladas sózinho não vai longe, nesta nossa
sociedade, numa actividade por conta própria); por isso,
o nosso conselho técnico deve ajudar a considerar outras
alternativas...
Podemos
assim acrescentar um pequeno grande pormenor: autonomia significa
multiplicação de dependências, se dentro de
rotas traçadas pelos próprios.
CRÉDITO, MAIS QUE SUBSÍDIOS
O
crédito, sem uma firme disciplina, não é
mais que caridade
e a caridade não ajuda a superar a pobreza
Muhammad Yunus
Pensemos
na nossa própria experiência pessoal: em geral, na
relação com outra pessoa, iremos desenvolver uma
interacção positiva se e enquanto partirmos construtivamente
daquilo de que gostamos nela.
De
igual modo, em termos profissionais, a abordagem de cada pessoa,
grupo ou comunidade deve basear-se nos seus valores, trunfos,
qualidades. Só depois desses cidadãos terem este
direito básico assegurado - o direito à confiança,
no fundo o direito à dignidade humana - poderemos desenvolver,
conjuntamente, processos positivos.
Se estamos a verificar que intervimos melhor quando nos centramos
nos recursos, não nos espanta que estejam a ter tanto êxito
os programas de micro-crédito no combate à pobreza.
Como diz a Associação Nacional de Direito ao Crédito,
as pessoas são merecedoras de todo o crédito.
|
É bom olharmos
atentamente também o que se passa no resto
do mundo. No mais famoso exemplo, em 1976, no Bangladesh,
iniciou-se um projecto de investigação-acção
que pretendia tornar acessível aos mais pobres
o recurso aos empréstimos bancários
em condições que lhes permitissem romper
os circulos viciosos da pobreza. Para tal, o Dr. Muhammad
Yunus organizou pequenos grupos nas aldeias e recriou
a filosofia das mutualidades e das cooperativas. Hoje,
o Grameen Bank trabalha em trinta e sete mil aldeias
e tem mais de dois milhões e trezentos mil
beneficiários (dos quais mais de noventa por
cento são mulheres); em 1998 ultrapassou os
dois biliões e meio de dolares de empréstimos,
com uma taxa de reembolso de noventa e sete por cento
(o que é certamente invejado pelos outros bancos).
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Esta
é uma experiência exemplar também porque o
"Norte-rico" aprendeu com o "Sul-pobre": da
Ásia e de África, iniciativas semelhantes estenderam-se
a França, Estados Unidos, Noruega ou Canadá. No
ano de 1998 desenvolviam-se já em cinquenta e oito países;
agora pelo menos em cinquenta e nove, incluindo Portugal onde
em Dezembro desse ano se iniciou a actividade da Associação
Nacional de Direito ao Crédito.
REFORÇO da sociedade civil
Ajudando a construir pontes.
Fazendo a manuntenção de canais de comunicação.
Muito do nosso trabalho deve dirigir-se ao reforço
e maior visibilidade dos que geralmente não são
vistos nem ouvidos. Para além de apoiarmos activamente
o acesso de cada pessoa aos seus direitos e bem-estar, contribuímos
para multiplicar a sua capacidade de acção quando
apoiamos as dinâmicas colectivas, desde a assessoria a uma
pré-associação até à promoção
de encontro em grupos das pessoas que partilhem interesses e/ou
problemas.
|
..."Reforça-se
a noção da utilidade social e não
apenas económica de uma actividade (como no
caso de uma cantina, de uma mercearia ou de uma cooperativa
de consumo comunitária; ou na reabilitação
colectiva das suas casas pelas famílias que
se organizam; ou simplesmente no projecto de viagem
em férias conjuntas, de um grupo, ...) - e
obtêm-se melhores resultados, nestes processos
colectivos que potenciam as intervenções
individuais e contribuem para o desenvolvimento solidário",
como conclui M. France Freynet.
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Ao reforçarmos a cidadania activa de cada
pessoa estamos a possibilitar que ela fortaleça a consciência
cívica local. Ao apoiarmos grupos informais (existentes,
emergentes ou "possíveis", os tais que podemos
sugerir a quem partilha interesses e problemas), contribuíndo
para que se organizem acima da "linha de visibilidade"
social (na expressão do Orlando Garcia), fortalecemos a
"infraestrutura cívica" (na expressão
da Liga Cívica Americana). Ao levar mais longe, em vários
níveis e de vários modos, a participação,
a articulação e a capacitação, reforçamos
os tecidos sociais locais - de que é parte essencial a
sociedade civil.
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Em
concreto em Portugal, hoje, parece ser decisivo o
crescimento desta dimensão colectiva da cidadania,
para corrigir ou prevenir desequilíbrios que
são ou podem ser de fundo. Temos, enquanto
técnicos do trabalho social, um papel nestes
processos. É importante contribuirmos para
que a consciência individual e colectiva de
cidadania continue a crescer. É urgente promovermos
e capacitarmos os grupos, as Associações
e as IPSS existentes no país real, quer por
dentro das suas estruturas internas (para quem lá
trabalha), quer com parcerias activas e reforçantes
(para quem com elas articula) - com exigência
mas com respeito, e não com tutelas. Os cidadãos
e as suas organizações não são
tutelados (em princípio, há uns dois
séculos, pelo menos...). Antes pelo contrário:
são maiores, capazes e deviam poder vigiar
cuidadosamente um Estado que tem um desempenho (ainda?)
"francamente duvidoso". Dito de outro modo,
é politicamente incorrecto menorizar organizações
da sociedade civil.
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A cidadania, a dignidade do ser-de-direitos, tem
sido um "acelerador" de mudanças, mas é
também um bom quadro de referência: deve estar sempre
antes e acima de tudo... Os mais fortes argumentos a favor de
eficiências, de avanços, de estratégias ou
tácticas não devem ultrapassar este marco - não
só não fazer atropelos, mas activamente respeitar
e procurar promover a pessoa, o cidadão e a sociedade civil,
é o primeiro requisito que deve interpelar os conteúdos,
os métodos e os tempos do nosso trabalho.
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Ajuda-nos, enquanto
referência, a estabelecer fronteiras: não podemos
aceitar ou sequer ignorar procedimentos sociais, políticos,
institucionais ou outros que agridam, ponham em risco ou diminuam
a dignidade da pessoa e os direitos do cidadão. |
Nas conjunturas complexas,
até confusas, em que nos encontramos hoje - onde tantas
dinâmicas e grupos de interesses, profissionais, corporativos
ou outros, se cruzam em tecidos organizacionais opacos, quase-caóticos
- este pode e deve ser o principal eixo comum às nossas
finalidades e nosso indicador-referência: como diz Eduarda
Oliveira, "se somos (social, profissional e deontologicamente,
mas também investidos pelas instituições)
responsáveis, perante o cidadão, pela articulação
de respostas e pelo serviço que a nossa organização
lhe presta, então também temos que assumir a responsabilidade
de lutar, na organização, pela qualidade de serviço
que se está a prestar ao cidadão".
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Clarificar disfunções
e suas consequências, garantir a transmissão
deste eco cívico, para "dentro" e
para "cima" na Instituição,
é um inicial e fundamental passo que nos cabe:
se damos voz à organização, junto
da pessoa, ainda mais devemos dar voz à pessoa,
junto da organização. Interface não
é só num sentido ...
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Esta dimensão da intervenção
social é necessária não só ao nível
individual mas também no tratamento, reflexão e
informação sobre dados globais, significativos,
do nosso trabalho - a avaliação, sua comunicação
e sua(s) visibilidade(s).
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Hoje, numa situação
em que a exclusão é um fenómeno social
crescente também na Europa, os Trabalhadores Sociais
situam-se em "campos minados" de paradoxos: se não
lhes damos "a volta", assumindo as tensões
e centrando-nos na cidadania, com capacidade estratégica,
estamos bem colocados como candidatos a vitímas das
contradições dos sistemas. |
Por outro lado, ao reforçarmos os cidadãos
e a sociedade civil, ao qualificarmos, inovarmos e aperfeiçoarmos
a nossa acção e ao intervir estratégicamente
em todos os níveis (com as pessoas e grupos; com a nossa
equipa; com a instituição; com os parceiros locais;
com a comunidade ...) estaremos também, muito provavelmente,
a ganhar espaço, autonomia técnica e afirmação
profissional.